Ficais vós a saber que quando tinha treze anos escorreguei num tapete manhoso do meu quarto (paz à sua alma, que o tapete já cá não está) e senti toda a minha cabeça estremecer com o impacto, mais tonturas e pequenas luzes a piscar. Abri um lanho no queixo e uma cova nos tacos do quarto, marcas que a minha exangue e aterrorizada família viu naquele dia e que entretanto não desapareceram (foi caso para abas de pele cosidas à linha); o que para mim ficou foi a certeza de que era (e sou) uma bailarina medíocre, mas calhou-me bem o feitio e porque não era (nem sou) boa a lidar com responsabilidades, culpei a música da rádio e rabos bamboleantes.
Operou-se a mudança e desconfio da pancada (fazendo sempre muitas vénias ao tapete branco). No Natal desse ano recebi o Sliver: The best of the box dos Nirvana e, algumas semanas depois, de um tio com impecável sentido de oportunidade, um saco de papel com The Smiths, Nick Cave, Smashing Pumpkins, Yann Tiersen, Depeche Mode e Sonic Youth para metamorfose completa (era o Dirty e fez de mim uma Drunken Butterfly). A título de empréstimo no tempo em que ainda se compravam os discos compactos, alguns dos álbuns ainda continuam cá em casa, sete anos depois, mas, em minha defesa, quando tinha treze anos escorreguei num tapete…